Uma novela policial sem igual!
Amor, ação, suspense e emoção: A Pequena Morte vai te prender e surpreender.

Bianca e Álvaro são dois jovens recém-casados que decidem passar a lua de mel em Monte Novo, cidade serrana do Rio de Janeiro. O pequeno município é destino frequente de casais apaixonados, e para Bianca o principal atrativo era o inverno – segundo ela, "a melhor estação para viver um romance".
Após a noite de núpcias em uma pousada local, no entanto, tudo muda de forma trágica. Álvaro, um obstinado praticante de exercícios físicos, sai para sua corrida matinal e ao retornar ao quarto do casal encontra a sua esposa morta, com indícios de ter sido assassinada. Em uma região marcada pelo clima de amor, o acontecimento logo choca todos os habitantes.
Entra em cena então o inspetor Tarcísio, que a princípio suspeita de latrocínio, uma vez que havia avarias na janela e alguns objetos tinham sumido. Mas à medida que as investigações avançam, uma série de estranhas descobertas e novos personagens mostram que nada é tão simples como parece.
A Pequena Morte é uma novela policial com boas doses de suspense e ação, que convida os fãs do gênero não só a adivinhar o suposto assassino, mas também a refletir sobre questões perturbadoras da psique humana.
16 de julho de 2017
Domingo, 8h38
A mente de Álvaro estava um turbilhão. Seus pensamentos relembravam os acontecimentos das últimas horas, enquanto realizava a sua corrida matinal pelas ruas arborizadas de Monte Novo, aprazível cidade serrana do Rio de Janeiro onde passava a lua de mel com Bianca Maria. Haviam se casado na noite anterior após dois anos de namoro, entre idas e vindas. O pequeno município era destino frequente de casais apaixonados, ideal para quem deseja alguns dias de tranquilidade, longe do tumulto das grandes metrópoles. Para Bianca, no entanto, o principal atrativo era o inverno – segundo ela, “a melhor estação para viver um romance”. Por este motivo, exigiu que os sete dias da viagem nupcial fossem passados em Monte Novo, um dos pontos mais frios do estado.
A relação custo-benefício do local realmente representava um ponto positivo, sobretudo devido aos enormes gastos que teve no casório, mas Álvaro preferia ter feito um esforço a mais e viajado para um lugar melhor. Se a questão era o frio, poderiam ir para alguma cidade ao sul do país. Ou, quem sabe, pesquisar um pacote promocional para Bariloche, Santiago, Patagônia, sei lá... Ao menos sairiam um pouco do Rio de Janeiro, onde residiam desde sempre. Mas não houve argumento de Álvaro que a fizesse mudar de ideia, e lá foram eles para Monte Novo mesmo.
Chegaram à Pousada Recanto do Monte na madrugada de sábado para domingo, cansados da grande festa que promoveram em um clube carioca, após a celebração do casamento em uma tradicional igreja do centro do Rio. A hospedaria não era grande, mas era como a própria cidade de Monte Novo: bonita, aconchegante, agradável e simpática. O mesmo não se podia dizer do atendente que os recebeu às quatro da manhã. Ao vê-los chegar, lançou-lhes um olhar frio, por meio de uma fisionomia fechada, logo após interromper bruscamente o manuseio do computador da recepção.
À primeira vista, Álvaro imaginou que talvez o rapaz tenha ficado com raiva por chegarem àquela hora, atrapalhando um possível cochilo no balcão. Mas não fazia sentido, já que aparentemente ele estava operando as câmeras de segurança da pousada, conforme observou no monitor, e ainda ouvindo música. Em um canto da mesa, a voz de Alexandre Pires soava de uma caixinha de som: “Tô fazendo amor / com outra pessoa / mas meu coração / vai ser pra sempre teu”.
O recepcionista deu um “bom dia” com cara de poucos amigos e, fosse o que fosse, Álvaro tratou de lhe entregar os papéis da reserva o mais rápido possível, a fim de pegar logo as chaves e deixar o funcionário em paz. Os quartos tinham nomes e, ao receber a liberação para subir, Bianca percebeu que o aposento indicado não era o mesmo que ela havia reservado pela internet. Ao questionarem, a resposta foi seca:
– Houve um imprevisto e tivemos que alterar. Mas não importa, o quarto tem as mesmas características do outro que os senhores reservaram. Bom dia.
– Pra você também, Luan – respondeu Álvaro, lendo o nome do atendente em sua lapela.
Ele não gostou das boas-vindas, ou melhor, da falta delas, mas Bianca ria à toa. Estava visivelmente feliz, e mesmo com a frieza do atendimento seu comportamento denotava a sua empolgação, acentuada também, talvez, pelo teor etílico um pouco elevado em seu sangue pós-festa. E da mesma forma respondeu ao funcionário, deixando o hall rodopiando e cantarolando junto com a canção:
– Bom dia, Luan, bom dia! A verdade é que eu minto / que eu vivo sozinho / não sei te esquecer!
De fato, o quarto não devia nada ao que tinham escolhido anteriormente. E mesmo com o cansaço e o adiantar da hora fizeram amor, como não poderia deixar de ser. Após algum tempo, caíram no sono, como também era previsível.
Mas Álvaro acordou cedo e não conseguiu dormir mais. Ficou rolando na cama em meio a muitos pensamentos, alguns deles incômodos. Afinal, casar pressupõe mudanças sensíveis. Após repassar quase toda a sua vida olhando para o teto, tomou uma súbita decisão. Minutos depois, deixou Bianca deitada e saiu para correr, por volta das 8h.
***
Após mais de meia hora se exercitando e pensando, meio sem rumo pela cidade, Álvaro resolveu voltar para a pousada. Ao chegar ao lobby, percebeu que havia mais funcionários andando de um lado para o outro, provavelmente os que chegaram pela manhã para trabalhar. Mas quem ainda estava no balcão da recepção era o tal Luan, a quem dirigiu uma saudação. O atendente respondeu entre os dentes, aparentemente se preparando para ir embora. Estava com uma aparência ainda mais estranha do que quando chegaram de madrugada. Dessa vez, o olhar que Luan lançou para Álvaro parecia... de ódio? “Esse realmente não teve uma boa noite...”, pensou, encaminhando-se ao quarto.
Lá chegando, observou Bianca na exata posição em que a havia deixado. Sua expressão facial estava tensa. Aproximou-se e, ao beijá-la, não obteve reação alguma de sua parte. Segundos depois, um forte grito fez-se ouvir por toda a pousada. Funcionários correram para o local de origem do som e, depois de várias batidas na porta sem resposta, entraram usando a chave mestra. Álvaro, aos berros, chorava copiosamente com Bianca nos braços, onde jazia o corpo inerte daquela que havia sido sua esposa por menos de 24 horas.
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